A série de Concertos

A série de concertos “100 Anos da Cripta da Catedral da Sé” traz 30 atrações musicais gratuitas em diversos locais da Catedral.
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A Cripta

Centenária, a cripta da Catedral da Sé de São Paulo foi inaugurada no dia 16 de janeiro de 1919.
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A praça e a cidade

Em 1754 antigas casas demolidas deram lugar ao Largo da Sé, que recebeu a sua primeira catedral
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A nova catedral

Apesar de gótica, a Catedral da Sé possui uma enorme cúpula de estilo renascentista que dá ao templo paulistano um aspecto arquitetônico singular.
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A arte e história na Cripta

Em 1923 se preocupavam em tornar a futura igreja mais que um centro de religiosidade e vivência da fé
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Antiga Sé

Com a elevação de São Paulo à diocese, em 1745, foi erguida a primeira catedral.
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Os povos de São Paulo

A cidade cresceu de maneira singular pela chegada de mais de 5 milhões de migrantes nacionais e estrangeiros ao longo de 200 anos.
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A SÉRIE DE CONCERTOS

A série de concertos “100 Anos da Cripta da Catedral da Së” traz 30 atrações musicais gratuitas em diversos locais da catedral.

Ícones e revelações recentes da música brasileira instrumental e do canto coral apresentarão sonoridades e repertórios ligados tanto a aspectos da Catedral quanto a pontos fundamentais da história de São Paulo.

Os povos que formam a cidade – uma das que tem a maior presença de origem migrante e imigrante do mundo – têm destaque especial, em apresentações de grupos ligados às múltiplas origens da população paulistana nascida aqui ou que adotou São Paulo como sua cidade.

Serão enfocados também diferentes momentos da Praça da Sé  e como ela refletiu o desenvolvimento de São Paulo. O primeiro concerto dessa sub-série se referirá à elementos da mata atlântica (e como ela é retratada em algumas esculturas nos capitéis da Catedral). Outros abordarão: os primeiros séculos da Vila de São Paulo; o início da metrópole, com a transformação do Largo em Praça da Sé; a história do Palacete Santa Helena e seus cinemas; a construção da Estação da Sé do Metrô; e, por fim, os desafios da praça de hoje e para o futuro.

Quatro concertos farão referência aos elementos naturais e suas relações com o espaço da Catedral. Próximo à pia batismal, haverá apresentação de um repertório de canto coral relativo à simbologia ligada à água. Fogo, Terra e Ar também serão abordados em locais especiais, criando relações entre a presença e o uso desses elementos no edifício da catedral, além de suas importâncias simbólicas e práticas para vida de todos.

A música sacra também marcará presença. Serão realizadas execuções originais de temas clássicos, em apresentações explorando as sonoridades de diferentes ambientes da catedral.

Os concertos serão realizados em locais como a Cripta, o Salão do Piano, o Salão do Órgão, o Coro e a Sala Monsenhor Silvio.  Será a primeira oportunidade do grande público conhecer de perto alguns desses locais. Com isso, terão experiências artísticas que ultrapassam o universo musical, tendo um contato diferente com vitrais, esculturas e vistas de um dos edifícios mais importantes da história da cidade de São Paulo.

A CRIPTA

Cripta da Catedral da Sé, 100 anos.

São Paulo foi uma das cidades que mais cresceu no mundo nos últimos 200 anos. Se olharmos mais para trás, na data considerada de fundação da cidade, em 1554, eram apenas 100 os habitantes da vila. Em 1872, no primeiro censo realizado no Brasil, já passavam de 30 mil. As mudanças da cidade refletiram na sua praça mais famosa. Em uma reforma urbanística promovida pela prefeitura da cidade no começo do século 20, o antigo largo da Sé foi ampliado em oito vezes, dando lugar à atual Praça da Sé. O primeiro novo edifício do espaço foi a cripta. Sobre ela, seria erguida a atual Catedral da Sé.

Centenária, a cripta da Catedral da Sé de São Paulo foi inaugurada no dia 16 de janeiro de 1919 – seis anos após o início da construção do atual templo e oito anos após a demolição da antiga Sé. A celebração foi presidida pelo então arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva. Foi a primeira missa realizada no espaço da nova Catedral, que só seria inaugurada 35 anos depois, durante o aniversário dos 400 anos de fundação da cidade de São Paulo.

 

Capela subterrânea que abriga 30 câmaras mortuárias, a cripta fica 7 metros abaixo do nível da praça da Sé. Acessível por duas escadas localizadas nas laterais do altar-mor e presbitério da Catedral, a cripta tem 365 metros quadrados e foi projetada em formato de cruz. Na nave central, atrás das escadas, estão localizados os túmulos do Padre Diogo Antonio Feijó, regente do Império do Brasil entre 1835 e 1837, e do índio Tibiriçá, cacique da tribo tupiniquim que habitava a região de Piratininga na chegada dos portugueses, em 1554. Os dois mausoléus, verdadeiros monumentos, são a “alma da história da cidade de São Paulo” na cripta da Catedral, como consta no relatório das obras da Catedral do ano de 1918.

Além dos restos mortais de todos os bispos da fase diocesana de São Paulo  (entre 1745 e 1908, quando a cidade ainda fazia parte da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro), está sepultado na cripta da catedral o Padre Bartolomeu de Gusmão, que inspirou um dos personagens principais do livro “Memorial do Convento”, do escritor português José Saramago. Acusado de bruxaria por seus contemporâneos e denunciado à Inquisição, Padre Bartolomeu é considerado o inventor do balão.

O corpo do Cardeal Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo entre os anos 1970 e 1998, foi o último a ser sepultado na cripta, em 2016. Reconhecido internacionalmente por contribuir para o fim das torturas durante o Regime Militar brasileiro e ajudar o País no processo de redemocratização, Dom Paulo é também o primeiro Cardeal sepultado na cripta. O Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, arcebispo de São Paulo entre 1944 e 1964, está sepultado na cripta do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde foi arcebispo no fim da vida, e o Cardeal Agnelo Rossi, arcebispo entre 1964 e 1970, está sepultado na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, em Campinas (SP), sua cidade natal.

Guardiã de relíquias, a cripta da Catedral de São Paulo terá seus 100 anos celebrados por meio de uma série de concertos musicais que irão explorar aspectos do templo que se relacionam com a cidade, proporcionando aos seus visitantes um mergulho na história.

A ANTIGA SÉ

A catedral é a igreja que acolhe a cátedra (cadeira) do bispo de uma determinada diocese. É dessa igreja que, simbolicamente, o bispo governa a diocese (região territorial da Igreja Católica que está sob a administração de um bispo). É por isso que a história das catedrais está sempre intimamente ligada à história das dioceses– quando se cria uma diocese, automaticamente se faz necessária uma catedral. Apesar de ter nascido a partir de uma missão religiosa, a cidade de São Paulo só ganhou independência no âmbito da Igreja em 1745, quando o Papa Bento XIV decretou a criação da Diocese de São Paulo e confirmou seu primeiro bispo diocesano, Dom Bernardo Rodrigues.

Dom Bernardo e os outros cinco primeiros bispos de São Paulo eram todos portugueses e, na verdade, foram nomeados ou pelo rei de Portugal ou pelo imperador do Brasil – o País vivia o Regime do Patriarcado, em que o Estado e a Igreja mantinham relações de dependência. Foi só a partir do décimo bispo diocesano, Dom Joaquim Arcoverde, que cessou a interferência do Estado nas nomeações episcopais, em 1894 – cinco anos após a proclamação da República brasileira. 

A antiga Sé ficava localizada do lado oposto de onde hoje está catedral – próxima ao atual prédio da Caixa Cultural (ali, ficava outra igreja, a São Pedro dos Clérigos). O antigo templo contava com um conjunto de prataria doado pelo rei João V (parte das peças está no acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo) e seu teto tinha um óleo sobre tela do pintor paulista Almeida Júnior (hoje, a tela integra o acervo do Museu Paulista – do Ipiranga).

A antiga catedral foi demolida em 1912 junto com a igreja de São Pedro e um conjunto de casas coloniais.

A NOVA CATEDRAL

“Se os templos se edificam mais para os homens do que para Deus, que, colocado no santuário da sua inesgotável riqueza, nada reclama da nossa abundância, nós, católicos e paulistas, queremos uma catedral que seja uma escola de arte e um estímulo a pensamentos mais nobres e mais elevados, queremos uma catedral opulenta, que, testemunhando a fartura dos nossos recursos materiais, seja também um hino de ação de graças a Deus Nosso Senhor”.

Esse era o espírito do projeto da atual Catedral da Sé quando seu idealizador, Dom Duarte Leopoldo e Silva, então arcebispo de São Paulo, falou sobre o futuro novo templo em janeiro de 1912. Um ano depois, seria lançada a pedra fundamental da futura catedral, que passava a ocupar a cabeceira da nova praça da Sé, projetada pelo arquiteto francês Bouvard (4).

 

O projeto do templo ficou a cargo do arquiteto Maximiliano Hehl, professor da escola Politécnica de São Paulo (depois incorporada à USP). Segundo monsenhor Sylvio de Moraes, em documento pertencente ao Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo, dom Duarte “obstinadamente queria uma catedral de estilo gótico, para dar a São Paulo moderno uma imagem petrificada de esperança”.

Apesar de gótica, a Catedral da Sé possui uma enorme cúpula de estilo renascentista que dá ao templo paulistano um aspecto arquitetônico singular. Inaugurada ainda incompleta somente em 1554, durante as celebrações pelos 400 anos de fundação da cidade de São Paulo, a Catedral possui o maior carrilhão da América Latina (61 sinos) e o segundo maior órgão de tubos da região (12 mil tubos).

A PRAÇA E A CIDADE

Em meados de 1550, quando a missão dos jesuítas chegou às terras onde nasceria a maior cidade do Brasil, o que eles encontraram foi uma planície de Mata Atlântica habitada por índios tupiniquins, liderados pelo cacique Tibiriçá. No dia 25 de janeiro de 1554, data em que a Igreja recorda a conversão do apóstolo Paulo, foi celebrada a missa de inauguração do colégio dos padres jesuítas, instalado numa elevação entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí.

A 400 metros da capela deste colégio (hoje, o Pateo do Collegio), em 1954 foi inaugurada a nova Catedral. São 400 metros que contam a história dos 400 anos de uma cidade construída em camadas, ou, como defende arquiteto e urbanista Benedito Lima de Toledo, revelam um pergaminho constantemente apagado e reescrito.

As transformações ocorridas na cidade refletiam em sua praça principal. Durante os primeiros anos após o descobrimento do Brasil, São Paulo não tinha importância no cenário nacional. Pelo contrário, sua distância em relação ao mar dificultava acesso ao então vilarejo e impedia seu desenvolvimento. Foi já nestes primeiros anos que o espaço onde está a praça da Sé “surgiu”. O livro “São Paulo de antigamente”, de Manoel Vitor, publicado em 1976, registra que a abertura do terreno ocorreu em 1594, com a construção de “[…] casas de barro, todas térreas, localizadas de propósito perto da Matriz […]”.

As antigas casas demolidas deram lugar ao Largo da Sé, que em 1754 recebeu a construção da primeira catedral. São Paulo crescia a passos lentos e a hoje ampla praça da Sé ainda era um largo – espaço maior entre o cruzamento de ruas. Pouco tempo depois, especialmente a partir dos anos 1800, a exploração de café começou a dar à cidade certa autonomia e força de crescimento. Apesar de ter quase quadruplicado sua população entre 1800 e 1900, passando de 65 mil para 240 mil habitantes, como assinala Oscar Pilagallo no livro “A história da imprensa paulista”, no início de 1800 São Paulo era ainda um “[…] um lugarejo pacato onde residiam, na área urbana, menos de 7 mil pessoas, quase todas analfabetas”.

Foi pelos anos 1870 que a economia cafeeira atingiu seu auge e possibilitou à cidade de São Paulo um grande desenvolvimento. Os barões do café mudavam-se das casas no interior do Estado para o centro da cidade, trazendo consigo modelos europeus de urbanização. Em 1906, entusiasmado com esse crescimento desenfreado, tomou posse da então Diocese de São Paulo Dom Duarte Leopoldo e Silva. Em dois anos, o bispo convenceu a Santa Sé a elevar a cidade à arquidiocese e começou uma campanha para dar a São Paulo uma catedral digna de seu tamanho.

Em 1911, um novo projeto urbano – que tinha o objetivo de adequar a cidade ao seu crescimento populacional – foi proposto pelo prefeito Raimundo da Silva Duprat. Com desenho do arquiteto francês Joseph-Antoine Bouvard (que havia dirigido o serviço de arquitetura de Paris e assessorado a Prefeitura de Buenos Aires na reestruturação urbana da capital argentina), o plano propunha abrir grandes avenidas e praças no centro de São Paulo. Entre as ações do plano Bouvard, o largo da Sé seria transformado em uma praça oito vezes maior.

Apesar de não ter sido inteiramente executado, o plano Bouvard antecipou algumas demolições no centro. Segundo o livro “Construtores do centro”, de Pedro Cavalcanti e Luciano Delion, já em 1912 foram demolidas a antiga igreja da Sé “[…] e os sobrados coloniais que ficavam atrás da igreja, desapropriados para dar lugar à futura praça da Sé, à Catedral e à praça João Mendes”.

A antiga catedral, que ficava ao lado de onde hoje funciona a Caixa Cultural, deu lugar à catedral da Sé atual, no topo da Praça da Sé.

Em 1913, logo após as demolições da antiga catedral e da Igreja São Pedro dos Clérigos, Dom Duarte lançou e abençoou a pedra fundamental de um templo neogótico projetado para ser “grande como o apóstolo que dá nome à cidade”. Mas foi só a partir de 1918, próximo à conclusão da construção da cripta subterrânea, que começou a surgir na praça os primeiros sinais da nova catedral. Neste intervalo de cinco anos, a praça ficou sem nenhuma igreja à vista.

Em 1925, ainda com a nova Catedral em construção, a praça da Sé ganhou um edifício com ares coloniais – o Palacete Santa Helena, que abrigou um cinema e o ateliê de artistas pós-modernistas como Francisco Rebolo, Aldo Bonadei e Alfredo Volpi. Anos mais tarde, em 1960, foi também na praça da Sé que se inaugurou um dos maiores edifícios da cidade na época – o Mendes Caldeira. Apesar de já ter sido inaugurada, a catedral ainda estava sem suas duas torres principais, concluídas apenas em 1967. 

Entre 1960 e 1971, os dois edifícios – Palacete Santa Helena e Mendes Caldeira, permaneceram na praça como testemunhas de uma São Paulo que olhava para o passado e para o futuro. Em 1971, abandonado pelas elites e pelos artistas, o Palacete Santa Helena foi demolido para a construção da estação Sé do Metrô. Destino igual teve o Mendes Caldeira, demolido em 1975 (apenas 15 anos depois de sua inauguração), eliminando a separação entre praça da Sé e a praça Clóvis Bevilacqua e deixando a praça com a configuração atual.

ARTE E HISTÓRIA NA CRIPTA

O relatório do ano de 1923 das obras da Catedral da Sé revela que os que estavam à frente do projeto do novo templo se preocupavam em tornar a futura igreja mais que um centro de religiosidade e vivência da fé, mas um lugar que também  congregasse cultura e história. Queriam seguir o exemplo das catedrais europeias, que costumam guardar em seus interiores relíquias relacionadas às suas cidades.

Foi nesse relatório de 1923 que a comissão informou que além do mausoléu para o Padre Regente Feijó, desejava construir na cripta outro para os restos mortais do cacique Tibiriçá – as cinzas dele se encontravam no Santuário do Coração de Maria. “Os dois mausoléus ficarão ali muito bem, um em face do outro, guardando as relíquias dos dois grandes, dos dois maiores filhos desta terra – Tibiriçá, um dos fundadores da nossa importante metrópole, e Feijó, um dos fundadores da nacionalidade brasileira”, diz o documento.

 

De fato, Tibiriçá era o cacique da tribo que vivia na região onde a missão dos jesuítas chegou em 1554 e sua conversão foi decisiva nos primeiros desenvolvimentos que o vilarejo passaria a ter a partir da construção da igreja e do colégio em torno dos quais a aldeia começou a crescer. Ele morreu em 1562 e dele são os restos mortais mais antigos sepultados na Cripta da Catedral.

Diogo Antonio Feijó foi regente do Império entre 1835 e 1837, tendo sido eleito pelo Senado após a mudança da regência tríplice para a regência una. Por isso, é considerado o primeiro chefe do Poder Executivo eleito do País.

Os túmulos de ambos ocupam lugar central na cripta e formam um conjunto de relevos impressionante. Segundo o relatório de 1923, os túmulos dos dois presentes na cripta tornariam possível, no futuro, dizer que “na nossa Catedral vive a alma histórica de São Paulo”.

Os vitrais da cripta foram fornecidos pelo primeiro ateliê de vitrais do Brasil, de Conrado Sorgenicht, o mesmo que executou os vitrais do Mercado Municipal e os da Casa das Rosas. 

Característica marcante da cripta, a capela possuí o teto feito com abóbodas ogivais em tijolinho aparente e o chão xadrez, em mármore, com uma rosa dos ventos centralizada perto do altar.

Além disso, a cripta possui duas esculturas em mármore que chamam a atenção. São de autoria do escultor paulista Francisco Leopoldo e Silva, que estudou com Vitor Brecheret na Academia de França, em Paris. As esculturas “representam o pensamento da morte e a esperança da ressurreição”.

Numa delas, São Jerônimo, “o sábio tradutor da Vulgata, aterrado ao pensamento da morte e consolado por um anjo, que lhe recorda a morte e sacrifício de Jesus pela humanidade”. A outra representa “o santo homem Jó, sentado […] mostrando a própria carne e dizendo aos amigos que choravam a sua desgraça: Sei que no ultimo dia hei de ressuscitar dos mortos e que nesta mesma carne hei de ver o meus Deus”.

OS POVOS DE SÃO PAULO

Uma pesquisa divulgada em 2011 pelo Ipea constatava que 45% das pessoas que moravam em São Paulo não tinham nascido na capital paulista. O dado fala de uma cidade que se desenvolveu recebendo muitos brasileiros de outras regiões e estrangeiros.

De fato, segundo estudos dos fluxos populacionais de São Paulo, coordenados pela professora Rosana Aparecida Baeninger, da Unicamp, e patrocinados pela FAPESP e pelo CNPQ, a cidade cresceu e se moldou de maneira singular pela chegada de mais de 5 milhões de migrantes nacionais e estrangeiros ao longo de 200 anos.

No livro “São Paulo, uma longa história”, Maria Izilda de Matos explica que a história da cidade foi marcada por três períodos – a fundação da vila, em 1554; a cidade do café, pelos anos 1870; e a megalópole, a partir dos anos 1980. A historiadora explica, ainda, que a cidade foi apagando seus referenciais – “torna-se praticamente impossível recuperar vestígios da vila fundada pelos jesuítas no topo dos rios Tamanduateí e Anhangabaú, da cidade colonial de taipa de pilão e das mulheres sós, cujos homens se encontravam a maior parte do tempo nas bandeiras, nas tropas ou desbravando fronteiras”.

Dessas camadas históricas, pouco também se encontra da São Paulo “dos acadêmicos […] que se deslocavam de todos os pontos do Brasil para cursar a Academia de Direito do largo São Francisco” ou da cidade do café, que atraiu estrangeiros de diferentes Países. Mas é consenso que os paulistas e paulistanos formam um povo de muitos povos.

Na pesquisa da Unicamp, o primeiro período de ocupação de São Paulo se refere aos anos entre 1794 e 1888, quando cerca de 500 mil homens livres e escravizados, a maioria vindos de outros Estados, sobretudo da Bahia e de Minas Gerais, chegou à cidade para trabalhar com café. Neste período, especialmente nos anos 1800, se verificou a chegada dos primeiros imigrantes europeus.

No entanto, foi entre 1885 e 1927 que a cidade recebeu o maior número de estrangeiros – cerca de 2 milhões e meio. Segundo a pesquisa da Unicamp, a maior comunidade que chegou em São Paulo neste período foi a italiana (mais de 1 milhão), seguida da portuguesa (1 milhão). Além disso, chegaram também muitos espanhóis (600 mil), alemães e japoneses (200 mil de cada comunidade) e libaneses (100 mil). É deste período o incentivo do governo brasileiro a imigrações estrangeiras. Essa política foi até 1927.

A partir de 1930, aconteceu outro grande fluxo de migração interna, com a chegada de muitos nordestinos. A pesquisa da FAPESP destaca, porém, a importância, neste período, da “[…] chegada de uma nova leva de imigrantes de mão de obra qualificada, especialmente depois da guerra, como os gregos, poloneses, russos e ucranianos que chegaram ao estado impulsionados por conjunturas políticas muito específicas”.

Em 1950, ainda segundo o atlas dos fluxos, foi registrado “um elevado crescimento populacional na Região Metropolitana da capital, que passou de 2.653.860 habitantes em 1950 para 4.739.406 em 1960, onde as migrações rurais e urbanas, em especial de nordestinos, permitiram que a metrópole tivesse mão de obra disponível para fazer deslanchar sua próxima etapa econômica”. Hoje, São Paulo tem mais de 12 milhões de habitantes.

Em cartaz no SESC 24 de maio, a exposição “À Nordeste” informa que em 1970, mais da metade da população era composta por nordestinos (6 de cada 10 moradores). Na década de 1970, houve, ainda, uma pulverização das imigrações por todos as cidades do Estado, quando aconteceu também grande fluxo interno de pessoas que deixavam a cidade grande em busca de vida mais tranquila no interior. Recentemente, a cidade viu novas ondas imigratórias, com a chegada de muitos angolanos, bolivianos e haitianos.

Não à toa, muitos bairros formam verdadeiras comunidades estrangeiras na cidade, como aponta o site do Governo do Estado. “Hoje, estima-se que São Paulo seja a terceira maior cidade italiana do mundo, a maior cidade japonesa fora do Japão, a terceira maior cidade libanesa fora do Líbano, a maior cidade portuguesa fora de Portugal e a maior cidade espanhola fora da Espanha”.

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Créditos

DIREÇÃO GERAL Camilo Cassoli - PRODUÇÃO Estúdio Centro - PRODUTOR GERAL Diego Sousa - DIREÇÃO ARTÍSTICA Delphim Rezende Porto Júnior - CENOGRAFIA Aline Arroyo - DESIGN GRÁFICO João Brito - PRODUÇÃO TÉCNICA E MUSICAL Companhia Técnica - OPERAÇÃO DE ÁUDIO Robson Luiz - ILUMINAÇÃO Abdias Jr. - IMAGENS DE ARQUIVO Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva - WEBSITE Baobá Art Comunicação Integrada - VÍDEO Estúdio Centro, Ligalight, Letícia Silva, Parece Cinema - OPERAÇÃO DE CÂMERA Andreia Cardoso, Thais Costa - DIREÇÃO DE IMAGEM Luiz Felipe Rossi - APOIO ADMINISTRATIVO E GESTÃO DE PESSOAL Deize Santos, Fabiana Amorim, Walkiria Santos - CONSULTORIA JURÍDICA Olivieri Associados - ASSESSORIA CONTÁBIL Suprema Contadores Associados

Agradecimentos

Adriano Stringhini, Beatriz Peres, Cardeal Odilo Pedro Scherer, Carlos Hashish, Fábio Marotta, Fernando Arthur Crepaldi, Pe. Helmo Faccioli, Jair Mongelli Júnior, Luciane Moraes Ribeiro, Maurício Alito, Pe. Luiz Eduardo Baronto, Sandra Moreira, Sérgio Reis, Wagner Ponciano, Pe. Zacarias José De Carvalho Paiva

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